Identidade – Diferença Sexual – Sou Homem. Sou Mulher
Introdução
A identidade se forma a partir de fatores dados e fatores criados. Nenhum deles, isoladamente, define quem sou eu, pois o ser humano precisa ser visto de forma integral e não em partes separadas.
Para compreender o que constitui nossa identidade, é necessário analisar cada dimensão que compõe o ser humano integral. Por isso, vamos falar de sexo e gênero.
Sexo
- Sexo genético – quais cromossomos possuo?
- Sexo gonádico – tenho ovário ou testículo?
- Sexo neuropsicológico – como os hormônios (estrógeno, testosterona e progesterona) organizam os circuitos cerebrais?
Sexo Genético
Quais cromossomos possuo?
Somos livres para escolher certas coisas, como a roupa que vestimos. Porém, há aspectos da vida que não escolhemos, como os pais que temos ou o país onde nascemos. Da mesma forma, recebemos os fatores genéticos ainda na vida intrauterina — é isso que chamamos de sexo genético.
Na fecundação, o espermatozoide (gameta masculino) traz um cromossomo X ou Y, enquanto o óvulo (gameta feminino) sempre traz um X. Assim, as combinações possíveis são XX (feminino) ou XY (masculino).
Sexo Gonadal
Tenho ovário ou testículo?
Após a definição do sexo genético, o embrião começa seu desenvolvimento. No início, ainda é indiferenciado, sem características externas que identifiquem o sexo.
No caso do homem, além do cromossomo Y, é necessário que este traga o grupo de genes chamado SRY, responsável pelo desenvolvimento dos testículos. Sem esse gene, não haverá testículo, mesmo que o embrião seja XY.
Quando o gene SRY é ativado, ocorre a diferenciação masculina. O testículo passa a produzir testosterona, que desencadeia três processos:
- Desenvolvimento dos ductos acessórios (deferente e epidídimo).
- Formação dos genitais masculinos externos.
- Desenvolvimento de certos núcleos cerebrais.
Hoje sabemos que desde a fecundação já existem diferenças entre embriões masculinos e femininos (podemos comprovar via exame de sangue específico), mesmo que só seja possível identificar por imagem o sexo do feto após o 4º mês.
lembro que um menino de 9 anos resumiu bem essa diferença quando lhe perguntei por que era bom ser homem. Ele respondeu sem hesitar: “Eu me sinto legal em ser homem. Porque sou diferente da mulher.”
Sexo Neuropsicológico
Na construção da identidade, a identidade sexual nos é dada pela biologia — nossa condição genética, que inclui o fato de ser homem ou mulher e se manifesta nas gônadas. Mas também é moldada pelo sexo neuropsicológico, que marca diferenças profundas no funcionamento do cérebro.
A adolescência é um período decisivo nesse processo, pois o cérebro está altamente aberto a novas conexões, influenciado por experiências positivas ou negativas. É nesse momento que a sexualidade impacta fortemente o comportamento, as emoções e a forma de pensar.
Para o adolescente, juntar emoção e razão é um desafio, porque o cérebro ainda integra essas duas áreas. Imagine um emaranhado de fios de cobre desencapados ligados na tomada: saem faíscas e a energia não flui bem. Só quando os fios recebem uma capa protetora é que a eletricidade pode carregar, por exemplo, um celular.
O cérebro adolescente funciona de forma parecida. Ele recebe estímulos de todos os lados, internos e externos, e precisa organizar essa energia. Esse processo inclui a mielinização (quando os fios se encapam), a poda neuronal (quando alguns fios são cortados), a formação de espinhas dendríticas (novos fios que reforçam as conexões) e a apoptose (remoção definitiva de certos fios, a morte programada de neurônios).
Quem conduz tudo isso são os hormônios gonadais — estrógeno e testosterona — que organizam e ativam os circuitos cerebrais.
Por isso, o adolescente vive intensamente os conflitos entre razão e emoção. Ele sente maior pressão do grupo, acredita ser invencível e muitas vezes se percebe incompreendido. O grande desafio desse período é integrar afeto e razão.
Gênero
Gênero é o conjunto de experiências de vida e do entorno sociocultural que influenciam a forma como cada pessoa sente, pensa, age e se relaciona de acordo com seu sexo biológico.
Sexo biológico e gênero interagem e forjam a identidade sexual, parte essencial da identidade pessoal. Cabe a cada um assumir a própria identidade.
Debate Atual
Hoje, dois extremos disputam espaço:
- De um lado, quem afirma que apenas os genes determinam a identidade.
- De outro, quem sustenta que nada é dado e que apenas o gênero nos define.
A verdade é que a identidade resulta tanto do que recebemos quanto do que construímos ao longo da vida, ou seja, vou vivenciando.
Teoria do Gênero x Teoria da Sexualidade Humana
- A teoria do gênero sustenta que o ser humano é autossuficiente e faz o que quer, seu único limite é a incapacidade técnica, se superada ele “pode ser o que quiser”.
- A teoria da sexualidade humana diz: que não somos autossuficientes. O limite é ser criatura e que ser criatura nos leva a dizer um sim a criação. E desse modo a nos integrar a essa criação que nos foi dada, não só a criação externa (animais, céu, mar, plantas, pessoas), mas integrar a nós mesmos no nosso ser, integrando nossa razão e a nossa emoção. E daí então nos integrar ao entorno, por isso somos seres em relação conosco mesmo e com os outros seres.
Nós recebemos a nossa sexualidade para encontrar com um outro, estabelecer um relacionamento, e vejam porque a sexualidade constitui a parte fundamental do mistério do humano, somos limitados porém transcendentes, por isso vamos mais além de nós mesmos.
Conclusão
Portanto, não existe o ser humano indeterminado, mas sim o que existe é o homem e a mulher. E para construir nossa própria identidade, devemos primeiro conhecer a nós mesmos e assumir quem somos.
A natureza do ser humano não é uma realidade estática, mas dinâmica. A visão que queremos mostrar é uma visão integradora. Certamente que a atuação da pessoa humana é transformadora da natureza, mas é transformadora para aperfeiçoá-la. Acolher o recebido e aperfeiçoá-lo, em vista de que vou crescer como pessoa. Acolher implica reconhecer e valorizar o recebido. Recebo meu corpo, minha história…. Aperfeiçoar implica trabalhar a partir do recebido, porém para fazer melhor o que já é. Deste modo, uma novidade em continuidade é alcançada pela pessoa. ( Carl Rogers)
Fabiana Azambuja – educadora, especializada em Antropologia Personalista pela AEP e responsável pelo Programa de Afetividade e Sexualidade para crianças e adolescentes Teen STAR








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