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Identidade Pessoal

Atualização Educadores Teen STAR 2022

9 de outubro de 2025
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Identidade – Diferença Sexual – Sou Homem. Sou Mulher

Introdução

A identidade se forma a partir de fatores dados e fatores criados. Nenhum deles, isoladamente, define quem sou eu, pois o ser humano precisa ser visto de forma integral e não em partes separadas.

Para compreender o que constitui nossa identidade, é necessário analisar cada dimensão que compõe o ser humano integral. Por isso, vamos falar de sexo e gênero.

Sexo

  • Sexo genético – quais cromossomos possuo?
  • Sexo gonádico – tenho ovário ou testículo?
  • Sexo neuropsicológico – como os hormônios (estrógeno, testosterona e progesterona) organizam os circuitos cerebrais?

Sexo Genético

Quais cromossomos possuo?

Somos livres para escolher certas coisas, como a roupa que vestimos. Porém, há aspectos da vida que não escolhemos, como os pais que temos ou o país onde nascemos. Da mesma forma, recebemos os fatores genéticos ainda na vida intrauterina — é isso que chamamos de sexo genético.

Na fecundação, o espermatozoide (gameta masculino) traz um cromossomo X ou Y, enquanto o óvulo (gameta feminino) sempre traz um X. Assim, as combinações possíveis são XX (feminino) ou XY (masculino).

Sexo Gonadal

Tenho ovário ou testículo?

Após a definição do sexo genético, o embrião começa seu desenvolvimento. No início, ainda é indiferenciado, sem características externas que identifiquem o sexo.

No caso do homem, além do cromossomo Y, é necessário que este traga o grupo de genes chamado SRY, responsável pelo desenvolvimento dos testículos. Sem esse gene, não haverá testículo, mesmo que o embrião seja XY.

Quando o gene SRY é ativado, ocorre a diferenciação masculina. O testículo passa a produzir testosterona, que desencadeia três processos:

  1. Desenvolvimento dos ductos acessórios (deferente e epidídimo).
  2. Formação dos genitais masculinos externos.
  3. Desenvolvimento de certos núcleos cerebrais.

Hoje sabemos que desde a fecundação já existem diferenças entre embriões masculinos e femininos (podemos comprovar via exame de sangue específico), mesmo que só seja possível identificar por imagem o sexo do feto após o 4º mês.

lembro que um menino de 9 anos resumiu bem essa diferença quando lhe perguntei por que era bom ser homem. Ele respondeu sem hesitar: “Eu me sinto legal em ser homem. Porque sou diferente da mulher.”

Sexo Neuropsicológico

Na construção da identidade, a identidade sexual nos é dada pela biologia — nossa condição genética, que inclui o fato de ser homem ou mulher e se manifesta nas gônadas. Mas também é moldada pelo sexo neuropsicológico, que marca diferenças profundas no funcionamento do cérebro.

A adolescência é um período decisivo nesse processo, pois o cérebro está altamente aberto a novas conexões, influenciado por experiências positivas ou negativas. É nesse momento que a sexualidade impacta fortemente o comportamento, as emoções e a forma de pensar.

Para o adolescente, juntar emoção e razão é um desafio, porque o cérebro ainda integra essas duas áreas. Imagine um emaranhado de fios de cobre desencapados ligados na tomada: saem faíscas e a energia não flui bem. Só quando os fios recebem uma capa protetora é que a eletricidade pode carregar, por exemplo, um celular.

O cérebro adolescente funciona de forma parecida. Ele recebe estímulos de todos os lados, internos e externos, e precisa organizar essa energia. Esse processo inclui a mielinização (quando os fios se encapam), a poda neuronal (quando alguns fios são cortados), a formação de espinhas dendríticas (novos fios que reforçam as conexões) e a apoptose (remoção definitiva de certos fios, a morte programada de neurônios).

Quem conduz tudo isso são os hormônios gonadais — estrógeno e testosterona — que organizam e ativam os circuitos cerebrais.

Por isso, o adolescente vive intensamente os conflitos entre razão e emoção. Ele sente maior pressão do grupo, acredita ser invencível e muitas vezes se percebe incompreendido. O grande desafio desse período é integrar afeto e razão.

Gênero

Gênero é o conjunto de experiências de vida e do entorno sociocultural que influenciam a forma como cada pessoa sente, pensa, age e se relaciona de acordo com seu sexo biológico.

Sexo biológico e gênero interagem e forjam a identidade sexual, parte essencial da identidade pessoal. Cabe a cada um assumir a própria identidade.

Debate Atual

Hoje, dois extremos disputam espaço:

  • De um lado, quem afirma que apenas os genes determinam a identidade.
  • De outro, quem sustenta que nada é dado e que apenas o gênero nos define.

A verdade é que a identidade resulta tanto do que recebemos quanto do que construímos ao longo da vida, ou seja, vou vivenciando.

Teoria do Gênero x Teoria da Sexualidade Humana

  • A teoria do gênero sustenta que o ser humano é autossuficiente e faz o que quer, seu único limite é a incapacidade técnica, se superada ele “pode ser o que quiser”.
  • A teoria da sexualidade humana diz:  que não somos autossuficientes. O limite é ser criatura e que ser criatura nos leva a dizer um sim a criação. E desse modo a nos integrar a essa criação que nos foi dada, não só a criação externa (animais, céu, mar, plantas, pessoas), mas integrar a nós mesmos no nosso ser, integrando nossa razão e a nossa emoção. E daí então nos integrar ao entorno, por isso somos seres em relação conosco mesmo e com os outros seres.
    Nós recebemos a nossa sexualidade para encontrar com um outro, estabelecer um relacionamento, e vejam porque a sexualidade constitui a parte fundamental do mistério do humano, somos limitados porém transcendentes, por isso vamos mais além de nós mesmos.

Conclusão

Portanto, não existe o ser humano indeterminado, mas sim o que existe é o homem e a mulher. E para construir nossa própria identidade, devemos primeiro conhecer a nós mesmos e assumir quem somos.

A natureza do ser humano não é uma realidade estática, mas dinâmica. A visão que queremos mostrar é uma visão integradora. Certamente que a atuação da pessoa humana é transformadora da natureza, mas é transformadora para aperfeiçoá-la. Acolher o recebido e aperfeiçoá-lo, em vista de que vou crescer como pessoa. Acolher implica reconhecer e valorizar o recebido. Recebo meu corpo, minha história…. Aperfeiçoar implica trabalhar a partir do recebido, porém para fazer melhor o que já é. Deste modo, uma novidade em continuidade é alcançada pela pessoa. ( Carl Rogers)

Fabiana Azambuja – educadora, especializada em Antropologia Personalista pela AEP e responsável pelo Programa de Afetividade e Sexualidade para crianças e adolescentes Teen STAR

Tags: sexo;genero;identidade;homem;mulher
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FUNDAMENTOS DO PROGRAMA Teen STAR PARA CRIANÇAS

O objetivo do programa Teen STAR na educação básica é oportunizar experiências educativas, para que a criança possa construir um olhar novo sobre a sexualidade humana, levando em conta seus aspectos físicos, emocionais, sociais, intelectuais e espirituais, de acordo com as necessidades e inquietações próprias desta etapa.

Este manual foi pensado para meninos e meninas de 7 a 12 anos de idade, sugerimos um currículo específico para as respectivas idades: 7-8 anos; 9-10 anos; 11-12 anos. Cada currículo respeita a pedagogia do programa, logo ao aplicar o programa, o educador precisa seguir a sequência pedagógica. Tem como ponto de partida, o aspecto físico da pessoa humana. Compreende o acompanhamento sensível do educador Teen STAR, no momento da vida, em que a criança está e o diálogo com pais e responsáveis da criança. 

O programa pretende oferecer à criança uma base, para o reconhecimento da identidade pessoal e experiências, através de atividades, que contribuem tanto para o crescimento integral da pessoa do educador, como da criança.

Sendo assim, o programa quer promover uma educação sexual, a partir de critérios: que esta educação seja dada no tempo certo, preservando o mistério da grandeza e complexidade da pessoa humana, dada naturalmente e que, requer a presença de alguém que   acompanhe a criança, em seu processo de crescimento.

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